quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Classificar, Dividir, Separar...

Aos meus 11 anos no auge da minha magreza quase que em nível de desnutrição, resolvi então no calor do entusiasmo e influência, entrar para uma escolinha de futebol. Mais ou menos 50 garotos descalços, com fome de bola igual a de um urso que acaba de acordar da hibernação, todos enfileirados para a serem selecionados por “afinidade” para a posição que iríamos jogar. E lá vem o professor, com seu apito pendurado no peito, boné do flamengo, camisa do flamengo, dentre outros acessórios do flamengo, chegou perto de mim e disse:
- Joga em que posição rapazinho?
- Eu não sei professor... (eu acho que ele me ajudaria a definir exatamente isso)
E logo ele arranjou um jeito simples e eficaz de me classificar:
- Escreve com que mão garoto?
- Com a direita “fessôr”...
- Ok, Você vai pra lateral direita... Sabe o que um lateral direto faz? Ele corre na lateral direita! (nooossa que foda ele hein...).
Fui para a lateral... Já ciente que as minhas chances eram mínimas de tocar na bola. Pois sabemos que num jogo de crianças sempre tem aquele velocista, acrobata, palhaço que pega a bola dribla todo mundo e avança no corredor em direção ao gol e não toca nunca, e todos correm e se amontoam atrás dele no meio do campo... E nessa hora eu já estava morto de cansado correndo como Usain Bolt na lateral, e mesmo que eu me esforçasse, gritasse, corresse, minhas capacidades futebolísticas não nunca eram requisitadas. Levando em conta um detalhe curioso que também me fazia desistir, era o tamanho e peso da pelota, a bola era a mesma que o time adulto treinava, o peso e circunferência equiparável a um pneu de trator... As chances de conseguir cruzar uma bola na área eram as mesmas que você tem de beijar o próprio cotovelo, ou seja, zero! E acabei então, por motivo de força maior convidado abandonar a escolinha de futebol, e seguir apenas na escola mesmo... Esse foi meu primeiro contato com o nível mais baixo de pré-seleção dentro de um grupo.
Falando em escola, pré-seleção... Lembro-me das aulas de matemática. Matemática é uma matéria tão útil e eficaz para o seu dia-a-dia quanto chutar um cachorro morto, não dá muito resultado... Parece que ninguém avisou o mundo sobre uma descoberta magnífica chamada CALCULADORA, que facilita a vida de qualquer indivíduo, mas somos obrigados a aprender e conviver todo tempo com ela, aprendemos as 4 operação básicas; somar,subtrair,multiplicar e dividir (que é o centro do nosso assunto hoje). A matemática realmente é útil em dois casos extremos:
1 – Não ser tapeado na passagem do troco, no mercadinho da esquina.
2 – Somar as dívidas do cartão de crédito, pra pagar ainda aquela reforma do ano passado, e os 4 amortecedores daquele seu fiat uno 96.
Eu achava interessante a operação divisão, adorava as historinhas de solidariedade pra enfeitar a operação... Era sempre mais ou menos assim: “O Pedrinho tem 4 maçãs, Mariazinha não tem nenhuma, se Pedrinho der 2 pra Mariazinha... Com quantas maçãs cada um vai ficar?”

Mas era só isso mesmo de legal... E mais nada! Ninguém queria mais ser solidário e as contas se tornaram chatas, gente dividindo pedaço de pauzinho com as outras pessoas... Enfim, ficou monótono bagaralho!
Exemplo clássico de divisão/classificação é a Dona Maria quando vai cozinhar seu feijão, ela despeja uma quantidade na mesa pra selecionar aqueles grãos enrugados e mais escurinhos, mas o que difere um feijão do outro Dona Maria? A aparência? Todos são feijões, iguais, porém diferentes, apenas o fato de separar, selecionar, dividir não diz que são diferentes. Dona Maria está sendo um pouco preconceituosa... Mas devemos perdoá-la, pois ela não sabe o que faz. Ela só quer garantir um almoço saboroso e livre de feijões defeituosos.
Toda divisão gera conflito, que por sua vez gera rivalidade. Torcedores de times de futebol proporcionam constantes exemplos de como a rivalidade opera dentro de uma sociedade dividida... Imagine um torcedor com sua camiseta (pele) do Corinthians caminhando tranquilamente na rua, e então como David Copperfield aparece das trevas, um outro torcedor fanático do Palmeiras é detectado a 54 km de distância,e automaticamente o sangue dos dois já sobe e infla os olhos, com os movimentos rápidos o corintiano prepara um kame-hame-ha, enquanto o palmeirense já dispara um Hadoukken, não se preocupando com quem está perto da arena de luta, todo e qualquer tipo de artefato que pode ir a mão é usado para ser arremessado na direção do rival, e logo uma multidão se forma e já está se espancando sem motivo aparente algum, apenas pelo simples fato do palmerense não gostar das cores preta e branca e o corintiano não gostar da cor verde. Quer motivo melhor? (esse é o melhor que encontrei)
Toda rivalidade gera conflito, separação... E estamos subdivididos em classes sociais, times, partidos políticos, religiões, etnias. Tudo pela mágica operação da divisão, nomenclaturas são criadas para separar um do outro, e manter todos separados por ramificações de uma mesma família habitante do mesmo planeta. Hierarquias definem status e posição dentro de uma sociedade separatista e egoísta. Um punhado a mais de papel impresso é suficiente para ascender a outro nível dentro desta comunidade capitalista, um carro importado, um terno alinhado, e pronto já se pode dizer que participa de uma minoria controladora e poderosa, oprimindo uma maioria oprimida e desfavorecida. Mas observando nossos semelhantes vamos perceber que somos todos tão parecidos... Seres com polegares opositores e massa cefálica capaz de produzir impulsos eletromagnéticos. E o engraçado de tudo isso é que a maioria almeja as mesmas coisas, o carro importado, o terno alinhado e a maior quantidade de papel impresso na conta bancária. No fim todos querem ascender à mesma classe, dividindo ainda mais os seres humanos.

Mas cá entre nós, vou contar um segredinho se prometerem não espalhar...
Se usarmos corretamente a operação matemática da divisão como o Pedrinho fez com a Mariazinha, e não usar de forma errônea como tem sido feita desde sempre, tudo seria muito diferente e mais harmônico, mas isso é nosso segredo... Se cair nos ouvidos da família humanidade tudo vai se resumir a dias de liberdade, igualdade e fraternidade!

Você vai dividir esse segredo? A responsabilidade é sua eu apenas contei...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Geração Malhação

Eu era uma criança calma, tranqüila, andei de bicicleta, brinquei de bola de gude, empinei pipa, joguei bola na rua (e perdi várias vezes a minha unha do dedão). Fiz coisas que um ser humano em desenvolvimento faria, em seu tempo certo é claro, subindo de degrau em degrau para uma adolescência proveitosa, tive algumas namoradinhas aqui e ali, tudo com uma inocência que hoje parece careta, sempre respeitando as vontades e modos da parceira, não atrapalhando assim as etapas normais do relacionamento. Porém, como minha função não é retratar o passado, analisar o presente e olhar para o futuro, é perfeitamente notável que nossas criançinhas bobas estão se transformando em seres totalmente diferentes. Pensam todo-dia-o-dia-todo em acasalar o máximo e mais rápido possível, qualquer cena de cachorro “fazendo amor” na rua é capaz de iniciar uma reação em cadeia no organismo desses indivíduos, precoces e inexperientes. Nossa juventude já está adiantada no tempo, fazem coisas que se eu pensasse na minha humilde e pacata infância, ganhava um tapa no meio da fuça (só de pensar), na atual conjuntura a orgia ta liberada, e a coisa toda muito adiantada, as crianças praticamente já nascem, e minutos depois já estão sexualmente preparadas... E isso para os “adiantadinhos” já é sinal verde para a perpetuação da espécie, e copulam com uma freqüência de deixar qualquer ator pornô no chinelo.
Mas ta explicado!!.... Com uma influência da novelinha Malhação escancarando as portas da sexualidade é bem mais fácil, e “shazaan” temos uma nova geração programada para agir conforme a caixa mágica apresenta. Fácil não é? Controlar uma massa gigantesca de jovens com o cérebro em formação e bombardeá-los com mísseis de cultura inútil.
Quer verificar se eu estou mentindo ou até mesmo exagerando? Veja por si mesmo, mas prepare-se para emoções fortes, pois os atores são incrivelmente dotados de talento invejável. O roteiro então... Vai fazer você chorar (de rir), é fraquinho demais, e para alguém que alcançou o nível mais baixo de inteligência será fácil detectar isso. Desculpem-me, mas vou ter que falar pra vocês como a novela começa e termina, posso? (claro que posso)
Começa assim: O rapazinho se apaixona pela moçinha... Porém sempre há algo ou alguém que atrapalha o romance, mas no final (sempre no final) ele ficam juntos e viajam! ... Pronto galera, malhação resumida, não precisam mais assistir (acabei de destruir sonhos de adolescentes contando como é o final), sobre os episódios entre o começo e o fim da temporada, é só usar um pouco sua imaginação, ora bolas! Você ainda tem isso não é? Imagine papos cabeça, sobre sexo, gravidez, traição, homossexualidade dentre outros assuntos polêmicos que são tratados com muita irresponsabilidade.
Eu na minha humilde concepção, acho que deveriam mudar o horário e faixa etária da novelinha... Faixa etária para 18 anos e horário depois do cine prive (ainda acho cedo demais), pois se alguém em seu juízo perfeito e saúde mental estabilizada vai notar que isso se trata de uma sacanagem em horário nobre.
Mas não... É um insulto a inteligência (resumida) de um adolescente falar nisso, eu to exagerando... É tudo apenas uma novela... é só ficção. É só ficção!!?? É porra nenhuma!! Olhe a sua volta meu amigo, estamos cercados de mini protótipos de atores da malhação, ninguém mais no meio jovem é realmente autêntico, e sempre se escoram em uma realidade imaginária para se auto-afirmar e obter status num grupo. Mas gente, espera aí, lembrei de uma coisa, as pessoas sempre falam: “Os jovens são o futuro do país.” puta merda! Então o Brasil ta fudido...
 Por favor, pais desses seres subdesenvolvidos, se não desejarem que seus filhos futuramente tenham distúrbios relacionados ao cérebro, tirem eles da frente da TV, é um favor que vocês fazem para si mesmos, para que num futuro próximo não gastarem com psicólogos e psiquiatras para tratar os possíveis desvios de personalidade, e problemas de percepção e aprendizado.

OBS: por que o nome da novelinha é malhação? Alguém malha naquela porra? Eu nunca vi!